O truque de sorrir

domingo, 13 de abril de 2008

A semana passada revisitei o meu bau de velhos CD’s. Por lá encontrei um com uma gravação pirata de um concerto dos The Cure. Sábado á noite (ou Domingo de madrugada) a caminho do Alentejo, depois de um dia cheio de Futsal, meti o CD a tocar no carro e fui relembrando velhas canções, mal gravadas. The Funeral Party, A Strange Day, Faith, etc. A certa altura, ouve-se uma voz estranha dizer: "This is called In Between Days". Imediatamente esbocei um enorme sorriso. Podia ter começado a chorar (não seria a primeira vez), mas não. Esbocei um sorriso e ouvi com muito prazer. Minutos mais tarde Just Like Heaven começa assim:

"Show me how you do that trick
The one that makes me scream" she said
"The one that makes me laugh" she said
And threw her arms around my neck
"Show me how you do it
And I promise you I promise that
I'll run away with you
I'll run away with you"


O sorriso cresceu muito, muito. É bom sorrir nestas ocasiões.

O Homem que se foi...a voar

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Desconfio que foste sempre muito melhor do que eu a voar. Lembro-me de ser pequeno e de voar contigo pela Formosa. Adorava aterrar naqueles lodos e enterrar-me até aos joelhos. Depois com aquela enxada… ficávamos pretos mas lá se apanhava o casulo necessário para a pescaria da noite. Doutras vezes o voo era pelas terras do Sr. Manuel (já falei dele aqui). Gostávamos da ribeira, daquela intrigante Casa Branca, contavas-me as histórias de D. Fuas Roupinho. Ás vezes o voo levava-nos á Bemposta. Ainda hoje não tenho a certeza, se uma vez vi ou não um cavalo selvagem no caminho, tal era a fantasia em que conseguias envolver qualquer momento.
Nunca te despediste de mim. Quando me avisaram que estavas pronto para o último voo apressei-me. Quando cheguei ainda lá estavas mas já não falaste comigo. Nesse dia prometi que te manteria por cá até que me fosse possível. Como já escrevi um dia (citando), “um homem vive enquanto alguém se lembrar do seu nome”. Tomei essa como uma das minhas missões. Por isso resolvi deixar aqui algumas histórias dos teus voos. Hoje, no dia em que cumpririas o teu 68º aniversário.

"Voguei na crista da onda
Resisti ao temporal
Dia e noite passei ronda
Aos vultos do areal

Numa busca delirante
Até remei ás avessas
Da nascente até juzante
Fiz sei lá quantas promessas"

(Rio, JC, s/d)

"As mantas de letargia
Buscam-se ao anoitecer
Quando um sonho se extravia
Ninguém sabe onde vai ter"
…
"Percorri uma longa estrada
De um passado turbulento
Feito de tudo … de nada
E de coisas que eu invento"
…
"Fiz amor com a loucura
Sem olhar a preconceitos
E até enchi de amargura
Princesas de grandes feitos

Perfume de muitas cores
Tem o vinho dos meus sonhos
Que eu só faço com as flores
De alguns jardins mais risonhos"

(Viagens, JC, 1986)

"Deitei-me e adormeci
Pus-me lá num segundo
Nas rochas de lá esculpi
Desejos do outro mundo

Tive um sonho de saudade
Que quero voltar a ter
Jurei guardar castidade
A qualquer anoitecer"

(Viagem Nocturna, JC, s/d)

"Eu sou aquele
Que ás portas da loucura
Não para de gritar
Bebam!
Bebam ternura
E parem de chorar"

(Aquele, JC, 2003)

A propósito, ias adorar ver isto.

Muros

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Um destes dias ouvi a última aula de um professor universitário americano – parece que é um costume todos os anos haver uma última aula fictícia. Mas neste caso era mesmo a última aula. Ao senhor, de 40 e poucos anos tinha sido diagnosticado um cancro no pâncreas e por isso os seus dias estão contados. A aula é uma lição de vida. Das grandes! Entre as muitas coisas fantásticas que disse, uma chamou-me particularmente a atenção. Dizia o Sr. que quando se constrói um muro para impedir a passagem para um qualquer sítio, na verdade, ele destina-se apenas a impedir a passagem daqueles que na realidade não querem chegar ao lado de lá. Para os outros, aqueles que de facto querem chegar ao outro lado, não é um simples muro que os vai travar. Dá que pensar…

Amar próximo

quarta-feira, 2 de abril de 2008

O amar próximo deve ser assim: num mapa longe deve ver o que está aqui; na rua deve procurar o próximo com uma bussula. Era uma vez duas serpentes. Uma amava a outra como se deve amar o próximo e a outra também amava aquela, a primeira como deve ser. Tão próximo que quando se enrolavam ficavam uma só, a dever o corpo uma à outra, a cabeça de uma da cauda da outra aproximada a cobrar a divida.

...

Para quem gosta...






http://www.azlyrics.com/lyrics/jeffbuckley/loveryoushouldvecomeover.html

Suicide Note pt. II

terça-feira, 1 de abril de 2008

Out of my mind,
gun up to the mouth
No pretension, execution, live and learn , rape and turn
Fret not family,
nor pre-judged army
This is for me,
and me only, cowards only
Try it


Don't you try to die, like me
It's livid and it's lies and makes graves
Graves descending down

It's not worth the time to try, to replenish a rotting life
I'll end the problem, facing nothing, fuck you off, fuck you all
Tortured history, addict of misery, this exposes me
for weakness is a magnet - watch me do it

Don't you try to die, like me
It's livid and it's lies and makes graves
Graves descending down


Why would you help anyone who doesn't want it,
doesn't need it, doesn't want your shit advice
when a mind's made up to go ahead and die?
What's done is done and gone, so why cry?

Don't you try to die, like me
It's livid and it's lies and makes graves
Graves descending down

Suicide Note pt.II-Pantera

Diário de Everland

"Num mundo decididamente quântico, não se consegue fazer festas a um gatinho, sem lhe partir o pescoço." (G. Gamow)

Diria mesmo que, aqui em Everland, podemos esquecer o quântico e de caminho nem são precisas as festas.

Porque há seres Humanos que parecem máquinas... ( e porque há coisas que provavelmente nunca conseguirei fazer :( ...)

domingo, 30 de março de 2008

Diário de Everland

quinta-feira, 27 de março de 2008

Quando era míudo costumava sonhar com uma imagem na parede que nunca conseguia atingir. Por mais que corresse para a parede aquilo estava sempre à mesma distância. Acho que sei o que a imagem representava. Vê-se, está lá, parece que lhe podemos tocar mas…é inatingível.

E porque a Primavera começou alguns dias e porque eles vêm cá e porque adoro estes riffs de guitarra e esta bateria!!!

terça-feira, 25 de março de 2008

Zambujeira!!!

sábado, 22 de março de 2008

E estávamos nós a petiscar
umas ameijoas à beira
mar quando de repente.....
Será as jolas a fazer efeito ou é mesmo o gajo???

???

terça-feira, 18 de março de 2008

Às vezes questiono-me…..que raio estamos nós aqui a fazer???

Nada, é a resposta e apetece chorar!!!

Aliás, hoje apetece-me chorar por tudo e por nada, pedir socorro mas sem querer ser socorrida

!!!Sorry

Australian Melodrama

sexta-feira, 14 de março de 2008

O trio só estaria completo com uma referência a David McComb (os outros são J. Buckley e S. Jeffes). Se, para uma daquelas contracapas de jornal me perguntassem
qual a minha banda preferida (não perguntam, mas se perguntassem), a resposta seria sem dúvida os Triffids de David McComb. A maior influência dos Triffids foi sem dúvida a sua localização geográfica. Isolados na costa ocidental da Austrália em Perth, a sua cidade de origem, a sua música foi sendo temperada de deserto (já volto ao deserto). David McComb, a alma dos Triffids, era um excelente contador de histórias. Depois da sua morte, ficou a obra dos Triffids e ficaram ainda algumas pinceladas dispersas (Red Ponies,Blackeyed Susans) e um excelente disco a solo em 1994 (Love Will). Dos Triffids propriamente ditos, ficaram Treeless Plain (1983), Raining Pleasure (1984), o incrivel Born Sandy Devotional (1986), In the Pines (1986), Calenture (1987) - a obra prima na minha opinião - e finalmente The Black Swan (1989).

Mas dizia eu que McComb era um excelente contador de histórias. Algumas estranhas, como "Jerdacuttup Man" onde assume o papel do espírito de um esqueleto encontrado numa escavação arqueológica:

"I tried to object but the words didn't come
Say, "You're making a mistake, boys, you've got the wrong one,
I'm a little out of shape, but I'm too young to go!"
But my throat just seized up and it started to snow

Old and lonely, dirty and cold
l'm a Jerdacuttup man"


Mas é sempre a geografia a marcar presença na atmosfera, nas letras e até na voz melancólica de McComb. Os vestigios da geografia encontram-se por todo o lado. Nas capas de Born Sandy Devotional e Calenture por exemplo. Mas também na melancolia de muitos momentos, como por exemplo em “Too Hot to Move, Too Hot to Think”,

"And from this window, I can see the street below
I can hear the hit parade on the radio
There's dirty dishes piling up in the sink
But it's too hot to move, and it's too hot to think"


Ou em "A Trick of the Light"

"Well the rim of her mouth was golden
Her eyes were just desert sands
But that's not her!
That's just the light
It's only an image of her
It's just a trick of the light"


É difícil conceber um lugar tão pouco comum “her eyes were just desert sands”…

McComb tinha também (obviamente) um lado mais negro que fica bem ilustrado nesta passagem de “The Seabirds”

"He called out to the seabirds "Take me now,
I'm no longer afraid to die"
but they pretended not to hear him
and just watched him with their hard and bright black eyes
they could pick the eye from any dying thing
that lay within their reach
but they would not touch the solitary figure
lying tossed up on the beach.

So, where were you?"


Se para a mesma contracapa me perguntassem (não perguntam, mas se perguntassem) qual a minha canção preferida, seria certamente este “Unmade Love”:

"Unmade love
To love you is to live beyond my means
The ghost of our love stalks me nightly
In my dreams
Dreams of unmade love

Let me sleep a little longer
Pray that in the morning I may wake a little stronger
I didn't think it would ever come to this
Your fingers that I counted on and kissed
Your body that once wrapped around me
Like a mist

Unmade love
And I'm not getting any stronger
The spade is getting heavy and the ground is getting harder
Harder than unmade love"


Como amostra final, fica o monumental “Wide Open Road”

No comboio a caminho de casa...

quarta-feira, 12 de março de 2008

Hoje no meu caminho de casa algo transmitido pelo meu mp3 player ecoava na minha cabeça e era algo assim...


A fragile peace that exists inside
A frame so shallow, so narrow-minded.
An open wound - we run inside.
A raging turmoil.
Helplessness confides...

Cursed to crawl
for pale and bleeding heart
Cursed to crawl
Pale and bleeding.
Cursed to crawl
for pale and bleeding heart
Cursed to crawl
PAle and bleeding.

Enter this sphere,
commonplace, borderline.
Between my rage,
Between my hate.
Damn our mistakes.
Fixation blinds.
The pain of knowing
the truth beyond...

Cursed to crawl
for pale and bleeding heart
Cursed to crawl
Pale and bleeding.
Cursed to crawl
for pale and bleeding heart
Cursed to crawl
PAle and bleeding

Cursed to crawl
for pale and bleeding heart
Cursed to crawl
Pale and bleeding.
Cursed to crawl
for pale and bleeding heart
Cursed to crawl
PAle and bleeding


Unprepared.
A gruesome display,
perhaps a replay -
self-inflicted.
Reduced to nothing,
my piece of mind seduced.
Unworthiness.
The scars never heal...


Cursed to crawl
for pale and bleeding heart
Cursed to crawl
Pale and bleeding.
Cursed to crawl
for pale and bleeding heart
Cursed to crawl
PAle and bleeding

SOL

terça-feira, 11 de março de 2008

Era feliz??? Sim, acho que era feliz, sentia-me feliz no meu pequeno mundo mesmo que à parte da verdadeira realidade…tinha tudo aquilo que muitas pessoas lutam numa vida, um Amor lindo, os amigos, uma vida (…)

Mas um dia o inesperado aconteceu, brilhaste para mim com os teus raios a entraram profundamente nos meus olhos e com aquele toque quente e suave aqueceste-me como nunca havia sentido. Este é um dos momentos da minha vida que nunca irei esquecer (…) Feliz??? Agora sim era feliz (…)

(…) Segui o Teu calor e deixei tudo o resto para trás, nem pensei em mais nada. O Calor que agora sentia valia por tudo aquilo que estava a perder…renasci como nunca pensei ser possível e fui FELIZ (…)

(…) Vivi os melhores momentos da minha vida rodeada pelo Teu calor e mesmo quando a tempestade gélida e mortal caiu sobre mim foste Tu quem me manteve quente, quem me deu a força necessária à Vida (…) hoje já nem sempre sinto o Teu calor mas és Tu quem ainda me protege dos dias frios... Feliz??? Sim, acho que ainda sou Feliz.